Com indicadores entre os piores do País, a criminalidade continua preocupando quem vive em Pernambuco. Pesquisa Genial/Quaest, divulgada na terça-feira (28), mostrou que 23% dos entrevistados apontam a violência como o maior problema do Estado. A saúde lidera, com 27%.
O levantamento, com o objetivo de identificar as intenções de voto para o governo de Pernambuco, ocorreu entre os dias 22 e 26 de abril. Foram ouvidos 900 eleitores com 16 anos ou mais, por meio de questionário aplicado presencialmente. A margem de erro é de três pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.
Na avaliação do pesquisador, consultor e especialista em Governança, Estratégias e Sistemas de Segurança Pública Armando Nascimento, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), o fato de a violência ser apontada como um dos principais problemas revela “um estado de alerta social que o investimento financeiro isolado não consegue aplacar de imediato”.
“O investimento em segurança pública, como compra de viaturas, armamentos e novas contratações, é o que chamamos de insumo. No entanto, a população não julga o governo pelo que ele gasta, mas pelo resultado que ela sente ao sair de casa”, disse.
Nascimento pontuou que a viralização de imagens de crimes nas redes sociais amplia a sensação de insegurança, mesmo que hajam altos investimentos no combate à violência.
“Vivemos em uma era onde um crime ocorrido em um bairro distante viraliza no WhatsApp em minutos. Isso cria um fenômeno de vitimização vicária (o medo de ser a próxima vítima mesmo sem nunca ter sofrido um crime). O governo pode investir milhões, mas a narrativa digital da violência é muito mais ágil e impactante”, explicou.
O pesquisador pontou que o resultado da pesquisa não indica que o investimento é inútil, mas que, no momento, é insuficiente para alterar a percepção de risco do cidadão.
“Para que a violência caia nesse ranking, o governo de Pernambuco precisa migrar de uma estratégia puramente baseada em gastos e policiamento ostensivo para uma estratégia de gestão por resultados territoriais, com foco em inteligência e, acima de tudo, na redução da impunidade nos crimes do cotidiano, que são os que mais alimentam esses 23% de preocupação popular”, avaliou.









